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 História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS - CAPÍTULO I - PARTE 1

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31122015
MensagemHistória do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS - CAPÍTULO I - PARTE 1

Capítulo I — A Luta Pela Criação do Partido Operário Social-Democrata na Rússia (1883-1901)

1 — Abolição do regime da servidão e desenvolvimento do capitalismo industrial na Rússia. — Aparecimento do proletariado industrial moderno. — Primeiros passos do movimento operário.
A Rússia czarista empreendeu o caminho do desenvolvimento capitalista depois de outros países.

Até a década de 60 do século passado, existiam na Rússia muito poucas fábricas e empresas industriais. Na economia russa predominava o regime da servidão em benefício dos latifundiários nobres.

Este regime de servidão não deixava que a indústria se desenvolvesse como devia. O trabalho forçado desses servos dava um baixo rendimento de produção na agricultura.

Toda a marcha do desenvolvimento económico forçava a abolição deste regime. — O governo czarista, enfraquecido pela derrota sofrida na guerra da Criméia e assustado pelas revoltas camponesas contra os latifundiários, viu-se obrigado a abolir em 1861 o regime da servidão.

Mas, nem por isso deixaram os latifundiários de continuar oprimindo os camponeses. Ao conceder-lhes sua "libertação", os latifundiários despojaram os camponeses — arrebatando ou escamoteando — de uma parte considerável das terras que estes vinham desfrutando e que os camponeses começaram a designar com o nome de "recortes". Além disso, obrigaram-nos a pagar aos latifundiários um resgate pela sua "libertação", num valor total de perto de 2.000 milhões de rublos.

Depois da abolição do regime da servidão, os camponeses eram obrigados a tomar em arrendamento as terras dos latifundiários em condições as mais iníquas. Não poucas vezes, além de pagar uma renda em dinheiro ao latifundiário, o camponês ficava obrigado a trabalhar de graça e com seus próprios instrumentos e animais de tração, determinada quantidade de terra daquele. A isto chamavam "pagamento em trabalho", "prestação pessoal". O mais frequente, porém, era o camponês ficar obrigado a pagar a renda ao latifundiário em espécie, entregando-lhe a metade da colheita. Isto se denominava "parceria".

Como se vê, a situação continuava sendo quase a mesma que antes, sob o regime de servidão, com a única diferença que, agora, o camponês era pessoalmente livre e não se podia vendê-lo ou comprá-lo como se fosse um objeto.

Os latifundiários usavam diversos métodos de rapina (renda, multas, etc.) para sugar até a última gota suas atrasadas explorações agrícolas. A grande massa de camponeses via-se na impossibilidade de melhorar suas plantações, porque a opressão dos donos de terra os impedia. Daí o enorme atraso da agricultura na Rússia antes da revolução, atraso que se traduzia em más colheitas e em períodos de fome.

Os resíduos do regime da servidão, as enormes contribuições ao Estado, e os arrendamentos altíssimos que tinham que pagar pela terra aos latifundiários, que não poucas vezes excediam aos lucros obtidos na exploração agrícola, conduziam à ruína e ao empobrecimento das massas camponesas e obrigavam os camponeses a procurar trabalho fora da aldeia. Iam para fábricas e empresas industriais, fornecendo aos fabricantes mão-de-obra barata.

Sobre as cabeças dos operários e camponeses se levantava todo um exército de chefes de polícia, guardas rurais, gendarmes, agentes de polícia, encarregados de defender o czar, os capitalistas e os latifundiários, contra os trabalhadores, contra os explorados.

Até o ano de 1908, estiveram em vigor as penas corporais. Não obstante haver-se abolido a servidão, o camponês era surrado pelo menor deslize ou pela falta de pagamento das contribuições.

Os gendarmes e os cossacos assassinavam e martirizavam os operários, sobretudo, durante as greves, quando estes, abandonavam o trabalho por não mais poderem suportar os vexames dos patrões. Na Rússia czarista, os operários e camponeses careciam até dos direitos políticos mais elementares. A autocracia czarista era o pior inimigo do povo.

A Rússia czarista era uma prisão de povos. As numerosas nacionalidades não russas da Rússia czarista achavam-se completamente privadas de direitos, submetidas continuamente a todo género de ultrajes e humilhações. O governo czarista tinha ensinado à população russa a ver nos povos indígenas dos territórios nacionais raças inferiores, às quais se dava o qualificativo oficial de gente "de outras raças", e lhe tinha inculcado o desprezo e o ódio a elas. O czarismo alimentava conscientemente as discórdias nacionais, açulava uns povos contra outros, organizava progroms de judeus e matanças entre tártaros e à arménios na Trancaucásia.

Nos territórios nacionais, todos ou quase todos os cargos públicos eram desempenhados por funcionários russos. O russo era a língua obrigatória em todas as instituições e nos tribunais. Era proibido publicar jornais e livros nas línguas nacionais ou ensinar nas escolas por meio da língua materna. O governo czarista esforçava-se em sufocar todas as manifestações da cultura nacional e seguia a política de "russificar" à força as nacionalidades não russas. O czarismo atuava como verdugo e tirano dos povos não russos.

Depois da abolição do regime de servidão, o desenvolvimento do capitalismo industrial na Rússia seguiu uma marcha bastante rápida, apesar dos resíduos do regime feudal continuarem entorpecendo seu desenvolvimento. Durante 25 anos, de 1865 a 1890, o número de operários, somente nas grandes fábricas e nas estradas de ferro, aumentou de 706.000 para 1.433.000, isto é, de mais do dobro.

Mais rápido ainda foi o desenvolvimento que começou a adquirir na Rússia a grande indústria capitalista durante a década de 90. No final desta década, o número de operários que trabalhavam nas grandes fábricas, nas empresas industriais, na indústria mineira e nas estradas de ferro, somente em 50 províncias da Rússia europeia, ascendeu a 2.207.000, e em toda a Rússia a 2.792.000.

E este era já um proletariado industrial moderno, que se distinguia radicalmente dos operários das fábricas do período da servidão e dos operários da pequena indústria, do artesanato e de qualquer outra indústria, tanto por sua concentração em grandes empresas capitalistas como por sua combatividade revolucionária.

Este rápido progresso industrial da década de 90 uniu-se, em primeiro lugar, à intensa construção de estradas de ferro.

Durante este decénio (de 1890 a 1900), se construíram mais de 21.000 quilómetros de novas vias férreas. Estas estradas de ferro absorviam uma quantidade enorme de metal (para os trilhos, locomotivas, vagões) e exigiam um volume cada vez maior de combustível, carvão de pedra e petróleo.

Isto ocasionou o desenvolvimento da metalurgia e das indústrias de combustíveis.

Na Rússia de antes da revolução, do mesmo modo que em todos os países capitalistas, os anos de prosperidade industrial se alternavam com os de crises industriais e estancamento da indústria, crises que castigavam duramente a classe operária, — lançando ao desemprego e à miséria centenas de milhares de trabalhadores.

Apesar do desenvolvimento do capitalismo na Rússia ter tomado um ritmo bastante rápido depois da abolição da servidão, ainda assim o país marchava, em seu desenvolvimento económico, bem atrás de outros países capitalistas. A imensa maioria da população continuava vivendo da agricultura.

Em sua famosa obra "O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia", Lenin cita algumas cifras importantes do censo geral da população russa, efetuado em 1897. Destas cifras conclui-se que cerca de cinco sextas partes da população total da Rússia trabalhavam na agricultura e a sexta parte restante se distribuía entre a pequena e grande indústria, comércio, transporte ferroviário, fluvial e marítimo, construção e trabalhos florestais. Isto mostra que, apesar do desenvolvimento adquirido pelo capitalismo na Rússia, ela em um país agrário economicamente atrasado, um país pequeno-burguês: isto é, um país em que predominava ainda a exploração camponesa individual, baseada na pequena propriedade, de escasso rendimento.

O capitalismo se desenvolvia não somente na cidade, mas também no campo. Os camponeses que eram a classe mais numerosa na Rússia pré-revolucionária, se foram diferenciando, foram se formando entre eles diversas camadas sociais. Do setor dos camponeses mais acomodados se destacou uma camada superior, os kulaks, a burguesia da aldeia, enquanto que de outra parte muitos camponeses se iam arruinando e passavam a engrossar o número dos camponeses pobres, dos proletários e semiproletários das aldeias.

O número de camponeses médios ia diminuindo de ano para ano.

Em 1903, havia na Rússia uns 10 milhões de explorações camponesas. Em seu folheto "Aos Pobres da Aldeia", Lenin calculava que dentro desta cifra havia pelo menos três milhões e meio de explorações camponesas sem animais de tração. Estes camponeses, os mais pobres de todos, só semeavam, geralmente, um punhado insignificante de terra, entregando o resto aos kulaks e indo trabalhar fora por salário. A situação destes camponeses paupérrimos era a que mais perto estava da do proletariado. Lenin os chamava proletários ou semiproletários da aldeia. De outras parte, havia (dentro daquela cifra total de 10 milhões) um milhão e meio de explorações camponesas ricas, de kulaks, que concentravam em suas mãos a metade de todas as semeaduras camponesas. Estes burgueses do campo prosperavam, oprimindo os camponeses pobres e médios, enriqueciam-se à custa do trabalho dos peões e dos jornaleiros agrícolas e se iam convertendo em capitalistas agrários.

A classe operária da Rússia começou a despertar e lutar contra o capitalismo já na década de 70, e, sobretudo, na década de 80 do século passado [anos 1800]. A situação dos operários na Rússia czarista era extraordinariamente penosa. Na década de 80, a jornada de trabalho, nas fábricas e empresas industriais, não era nunca inferior a 12 horas e meia, e na indústria têxtil chegava até 14 e 15 horas. Explorava-se em grandes proporções o trabalho da mulher e da criança. Os meninos trabalhavam o mesmo horário dos adultos, porém ganhando, assim como as mulheres, salários muito inferiores. O nível dos salários era extraordinariamente baixo. Havia muitos operários que só ganhavam 7 ou 8 rublos por mês. Os operários melhor pagos das fábricas metalúrgicas e de fundição só ganhavam 35 rublos mensais. Não se tomava nenhuma medida de proteção do trabalho, o que originava acidentes em massa e constantes mortes de operários. Não se conhecia o seguro-operário, e a assistência médica só a obtinha aquele que pagasse. Os operários viviam em condições horríveis, empilhados em tugúrios, em casas de cômodos, à razão de 10 a 12 homens em cada quarto. Freqüentemente os patrões enganavam os operários ao lhes fazer as contas das diárias, obrigavam-nos a comprar nos armazéns patronais da fábrica, artigos três vezes mais caros do que valiam e os saqueavam por meio de multas.

Os operários começaram a combinar entre si e a apresentar em conjunto ao patrão suas reivindicações para melhorar as condições insuportáveis em que viviam. Abandonavam o trabalho, isto é, punham-se em greve.

As primeiras greves, nas décadas de 70 e 80 do século passado [anos 1800], estalavam, em geral, em protesto contra as multas desmedidas, contra as velhacarias e enganos propositados quando faziam os pagamentos, contra a redução dos salários.

Nas primeiras greves, os operários, esgotando a paciência, quebravam às vezes as máquinas, os vidros das fábricas e destruíam os armazéns patronais e escritórios da fábrica.

Os operários mais conscientes começaram a compreender que para lutar com êxito contra o capitalismo, era necessário organizar-se. E assim, surgiram as primeiras associações operárias.

Em 1875, se organizou em Odessa a "União dos Operários do Sul da Rússia". Esta organização operária, a primeira de todas, não viveu mais de 8 ou 9 meses, sendo aniquilada pelo governo czarista.

Em Petersburgo, organizou-se, em 1878, a "União dos Operários Russos do Norte", à cuja frente se achavam um carpinteiro chamado Khaltorin e um serralheiro de nome Obnorski. No programa desta organização se dizia que seus objetivos eram análogos aos dos partidos operários social-democratas dos países ocidentais. Sua meta final era levar a cabo a revolução socialista,

"derrubar o regime político e econômico do Estado existente, como um regime completamente injusto".
Um dos organizadores desta União, Obnorski, tinha vivido algum tempo no estrangeiro, onde teve ocasião de conhecer a atuação dos partidos social-democratas marxistas e da Primeira Internacional, dirigida por Marx.

Esta circunstância imprimiu seu selo ao programa da "União dos Operários Russos do Norte". O objetivo imediato que esta organização se propôs alcançar era a conquista da liberdade e dos direitos políticos do povo (liberdade de palavra e de Imprensa, direito de reunião, etc.).

Entre as reivindicações imediatas, figurava também a redução da jornada de trabalho.

O número de filiados a esta organização era de 200, contando com outros tantos simpatizantes. A União começou a tomar parte nas greves operárias e a dirigi-las. Também esta organização foi destruída pelo governo czarista.

Porém o movimento operário continuava desenvolvendo-se e estendendo-se a novas e novas regiões. Na década de 80, aumenta o número de greves. Durante cinco anos (de 1881 a 1886), produziram-se mais de 48 greves, com um total de 80.000 grevistas.

Na história do movimento revolucionário, ocupa um lugar de destaque a grande greve que estalou em 1885 na fábrica "Morosov" de Orekhno-Suievo.

Nesta fábrica trabalhavam cerca de 8.000 operários. As condições de trabalho pioravam dia a dia: de 1882 até 1884 o salário foi reduzido cinco vezes, e em 1884 o salário médio foi diminuído de golpe em uma quarta parte, isto é, uns 25%. Como se isso fosse pouco, o fabricante Morosov não deixava os operários viverem em paz pelas contínuas multas. Segundo se demonstrou perante os Tribunais depois da greve, de cada rublo que o operário ganhava, tiravam-lhe por meio de multas de 30 a 50 centavos de rublo, que iam parar no bolso do patrão. Os operários, dispostos a não continuar tolerando este roubo, declararam-se em greve em janeiro de 1885. A greve foi organizada de antemão. Dirigiu-a um operário avançado, chamado Piotr Moiseienko, que estivera filiado à "União de Operários Russos do Norte", e que tinha já experiência revolucionária. Nas vésperas da greve, Moiseienko formulou, junto com outros tecelões dos mais conscientes, uma série de reivindicações que seriam apresentadas ao patrão e que foram aprovadas em uma reunião secreta dos operários. Eles exigiam, antes de tudo, que cessasse o saque por meio das multas.

À greve foi esmagada pela força das armas. Foram detidos mais de 600 operários e algumas dezenas processados.

Greves parecidas com esta surgiram também no ano de 1885 nas fábricas de Ivanovo-Vosnesensk.

No ano seguinte, o governo czarista, assustado com o movimento operário em ascensão, viu-se obrigado a promulgar uma lei sobre as multas. Nesta lei, dispunlia-se que o dinheiro das multas não podia ser apropriado pelo patrão, e que tinha que ser investido nas necessidades dos próprios operários.

Pela experiência da greve da fábrica Morosov e outras semelhantes, os operários compreenderam que podiam conseguir muito lutando organizadamente. No movimento operário começavam a destacar-se dirigentes e organizadores capazes, dispostos firmemente a defender os interesses da classe operária.

Por esta mesma época, em conseqüência do desenvolvimento operário e sob a influência do movimento operário do Ocidente da Europa, começam a ser criadas na Rússia as primeiras organizações marxistas.
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