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 História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS - CAPÍTULO I - PARTE 4

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31122015
MensagemHistória do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS - CAPÍTULO I - PARTE 4

4 — Luta de Lenin contra o populismo e o "marxismo legal". — A idéia leninista da aliança entre a classe operária e os camponeses. — Primeiro congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia.

Ainda que Plekhanov já tivesse assestado, na década de 80, um rude golpe no sistema das idéias populistas, em começos da década de 90, estas idéias encontravam ainda acolhida em uma parte da juventude revolucionária. Uma parte da juventude continuava acreditando que a Rússia podia fugir da trajetória capitalista e que seriam os camponeses e não a classe operária que desempenhariam o papel fundamental da revolução. Os populistas que restavam, tudo faziam para entorpecer a difusão do marxismo na Rússia, lutavam contra os marxistas e procuravam desacreditá-los a todo custo. Para assegurar uma mais ampla difusão do marxismo e a possibilidade de criar um Partido social-democrata, era necessário esmagar definitivamente o populismo no terreno ideológico. Este trabalho foi realizado por Lenin. Em seu livro "Quem são os "amigos do povo" e como lutam contra os social-democratas?" (publicado em 1894), Lenin pôs a nu completamente a verdadeira face dos populistas, como falsos "amigos do povo" que trabalhavam na realidade contra este.

Na década de 90, há muito tempo que os populistas tinham renegado, no fundo, toda a luta revolucionária contra o governo czarista.

Os populistas liberais aconselhavam a reconciliação com o czarismo.

"Pensam ingenuamente, — escrevia Lenin, referindo-se aos populistas daquele tempo — que implorando com submissão e doçura, este governo poderá ajeitar tudo a contento" (Lenin, 1.1, pág. 161, ed. russa).
Os populistas da década de 90 fechavam os olhos ante a situação dos camponeses pobres, ante a luta de classes no campo, ante a exploração dos camponeses pobres, pelos kulaks e elogiavam o desenvolvimento das fazendas destes.

Na realidade, atuavam como porta-vozes dos interesses dos kulaks.

Ao mesmo tempo, em seus jornais, os populistas mantinham uma campanha de difamação contra os marxistas. Desfigurando e deformando conscientemente as idéias dos marxistas russos, faziam crer aos seus leitores que os marxistas procuravam a ruína do campo, que queriam "fazer passar cada mujik pelo forno da fábrica". Lenin desmascarou estas calúnias da crítica populista e demonstrou que o que importava não eram os "desejos" dos marxistas, e sim o processo real do desenvolvimento do capitalismo na Rússia, que fazia crescer inevitavelmente o contingente do proletariado. E que o proletariado seria o coveiro do regime capitalista.

Lenin pôs em evidência que os verdadeiros amigos do povo, que queriam acabar com a opressão dos capitalistas e latifundiários e destruir o czarismo, não eram os populistas e sim os marxistas.

Em seu livro "Quem são os "amigos do povo?", Lenin destaca, pela primeira vez, a idéia da aliança revolucionária entre os operários e camponeses como meio fundamental para derrubar o poder do czarismo, dos latifundiários e da burguesia.

Em uma série de trabalhos deste período, Lenin submete à crítica os meios de luta política de que se serviam os militantes do grupo mais importante dos populistas — o da "Vontade do Povo" — e que mais tarde utilizariam os social-revolucionários — continuadores dos populistas —, principalmente a tática do temor individual: Lenin considerava essa tática prejudicial para o movimento revolucionário, porque abandonava a luta das massas pela luta de uns quantos heróis individuais. Esta tática refletia a falta de fé no movimento revolucionário do povo.

Na obra "Quem são os "amigos do povo?", Lenin traça as tarefas fundamentais dos marxistas russos. A seu ver, estes deviam, antes de tudo, tomando como base os dispersos círculos marxistas, organizar um Partido operário socialista único. Assinalava além disso, que tinha de ser precisamente a classe operária da Rússia, aliada com os camponeses, a que derrubaria a autocracia czarista; feito isso, o proletariado russo aliado com as massas trabalhadoras e exploradas, juntamente com o proletariado de outros países, marcharia pelo caminho reto da luta política aberta para a vitória da revolução comunista.

Assim, pois, Lenin mostrava acertadamente, faz mais de 40 anos, o caminho de luta pelo qual havia de marchar a classe operária, definia sua missão como força revolucionária avançada da sociedade e definia ao mesmo tempo a missão dos camponeses, como aliados da classe operária.

A luta de Lenin e de seus partidários contra o populismo conduziu, já na década de 90, ao completo e definitivo esmagamento ideológico do populismo. Teve também uma importância imensa a luta de Lenin contra o "marxismo legal". Em todos os grandes movimentos sociais da história há indivíduos que se juntam temporariamente ao movimento para logo depois separar-se dele. Tal foi o que ocorreu com os chamados "marxistas legais". Diante da grande difusão que o marxismo ia adquirindo na Rússia, alguns intelectuais burgueses começaram também a vestir-se com esta roupagem, publicando artigos nos jornais e revistas legais, isto é, autorizados pelo governo do czar. Daí o nome de "marxistas legais" com que se começou a chamá-los.

Esta gente lutava a seu modo contra os populistas. Porém tentavam utilizar esta luta e a bandeira do marxismo para subordinar e adaptar o movimento operário aos interesses da sociedade burguesa, aos interesses da burguesia. Para isso, descartavam da doutrina de Marx os pontos fundamentais: a teoria da revolução proletária, da ditadura do proletariado. O representante mais destacado dos marxistas legais, Piotr Struve, elogiava a burguesia, e, em vez de preconizar a luta revolucionária contra o regime capitalista, convidava os operários a "reconhecer nossa incultura e aprender do capitalismo".

Na luta contra os populistas, Lenin considerava lícito estabelecer um acordo temporário com os "marxistas legais" para utilizá-los contra aqueles, editando, por exemplo, uma seleção de trabalhos contra os populistas. Porém, ao mesmo tempo, Lenin criticava com toda crueza, os "marxistas legais", pondo a nu sua medula liberal-burguesa.

Muitos destes "companheiros de viagem" se converteram logo em kadetes (nome do partido mais importante da burguesia russa) e, durante a guerra civil, em fanáticos guardas brancos.

Ao mesmo tempo que se criavam "Uniões de Luta" em Petersburgo, Moscou, Kiev, etc., criaram-se também organizações social-democratas nas nacionalidades localizadas no Ocidente da Rússia. Na década de 90, desligaram-se do partido nacionalista polaco alguns elementos marxistas e formaram a "Social-democracia da Polônia e Lituânia". Em fins do século criaram-se organizações social-democratas na Letônia.

Em outubro de 1897 se constituiu, nas províncias ocidentais da Rússia, a União geral social-democrata judia, o "Bund".

Em 1898, algumas "Uniões de Luta", as de Petersburgo, Moscou, Kiev, Ekaterinoslav e o "Bund", fizeram a primeira tentativa de unificar-se para formar um Partido social-democrata. Com este fim se reuniram em Minsk, março de 1898, no primeiro Congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia (P.O.S.D.R.).

À este primeiro congresso do P.O.S.D.R. assistiram, no total, 9 delegados. Lenin não assistiu, pois naquela época se achava deportado na Sibéria. O Comitê Central do Partido, eleito no dito Congresso, não tardou em ser preso. O "Manifesto" lançado em nome do Congresso sofria ainda de muitos defeitos. Nele, não se assinalava a missão da conquista do Poder político pelo proletariado, não se dizia nem uma palavra sobre a hegemonia do proletariado, e se fugia ao problema dos aliados deste em sua luta contra o czarismo e a burguesia.

Em suas resoluções e no "Manifesto", o congresso proclamava a fundação do Partido Operário Social-Democrata da Rússia.

Neste ato formal, que desempenhou um grande papel no conjunto da propaganda revolucionária, residiu a importância do primeiro Congresso do P.O.S.D.R.

Porém, apesar de haver-se celebrado este primeiro Congresso, na Rússia não existia ainda, de fato, um Partido social-democrata marxista. O Congresso não tinha conseguido unir e ligar organicamente os diversos grupos e organizações marxistas. Não existia ainda uma linha única de trabalho entre as organizações locais: não existia um programa do Partido, nem estatutos deste, nem um centro único de direção.

Estas causas, ligadas a outra série de motivos, fizeram com que a dispersão ideológica entre as diversas organizações locais fosse num crescendo, criando assim as condições propícias para que se fortalecesse dentro do movimento operário a corrente oportunista do "economismo".

Foram necessários vários anos de intensa luta de Lenin e do periódico "Iskra" ("A chispa"), organizado por ele, para acabar com aquela dispersão ideológica, superar as vacilações oportunistas e preparar a criação do Partido Operário Social-Democrata da Rússia.
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